Reversão de Vasectomia em 2017.

Reversão de Vasectomia em 2017- Dr. Charles Rosenblatt operando no MicroscopioA cirurgia de reversão de vasectomia consiste na religadura através de microcirurgia dos cotos dos canais deferentes que foram seccionados durante a vasectomia. Desta forma se restabelece a fertilidade para homens que realizaram a vasectomia , com índices elevados de sucesso.

A escolha do método para obter-se uma gravidez (reversão de vasectomia ou Fertilização in vitro) deve ser discutida com seu médico, levando-se em consideração a idade do casal (principalmente da mulher), o número de filhos que o casal pretende ter, o tempo da vasectomia, e a situação financeira (em geral a reversão é menos dispendiosa do que os métodos de fertilização in vitro).

Durante a cirurgia de reversão de vasectomia, já realiza-se alguns testes para saber se há espermatozoides no coto do canal deferente a ser religado. Há técnicas indicadas a depender deste achado, como a vaso-vasostomia ou vaso-epididimostomia. O sucesso da reversão de vasectomia depende de diversos fatores, tais como tempo da vasectomia e da técnica utilizada na vasectomia.

Desde que O’Connor sistematizou a técnica da vasovasostomia em 1948, realizaram‐se várias modificações, quer no sentido de otimizar a visualização do campo cirúrgico – e que incluíram a utilização de lentes de ampliação ou microscópio ótico – quer do ponto de vista de estanquicidade da sutura com a realização de um ou 2 planos.

Apesar de resultados iniciais bons em termos de patência com a técnica macroscópica, quando Lee e McLoughlin comparam os seus resultados com as 2 diferentes técnicas obtiveram maior número de gravidezes com a técnica microcirúrgica (51 versus 35%). Desde o artigo referência de Lee, numerosos estudos adicionais que comparam estas técnicas confirmaram a superioridade em termos de taxas de patência e de gravidez alcançadas com a reparação microscópica2.

Em relação ao prognóstico de acordo com a sutura em um ou 2 planos, as séries retrospetivas publicadas sugerem que o resultado é igual, tanto no que se refere à permeabilidade deferencial como à taxa de gravidez . Até à data, contudo, não houve qualquer ensaio prospetivo, randomizado, controlado comparando a técnica microcirúrgica de única camada modificada versus a camada dupla e a decisão relativamente a qual abordagem utilizar é assim baseada largamente na preferência do cirurgião.

Os resultados publicados na literatura referentes à reversão microcirúrgica são heterogéneos, tanto em termo de resultados nos espermogramas como nas taxas de gravidezes. As taxas de recanalização variam entre os 99% de Mattheus e os 60% de Nalesnik . O mesmo acontece na taxa de gravidez entre os 69,9% de Silber e os 40,6% de Huang .

Os fatores que mais parecem influenciar o prognóstico é o tempo decorrido desde a vasectomia . Outros fatores mais discutíveis incluem a presença de granuloma espermático e a presença de anticorpos antiespermatozoides.

 

Canais deferentes isolados Sutura em 2 planos Luz do canal deferente Sutura completa do cotos de canal deferente

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